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Tudo sobre tecidos – Parte 1: Construção

Este post é o post 1 de 6 da série Tudo sobre tecidos

Tecidos, gente, quem não ama?

Pois então… Tanta coisa pra falar que eu não sabia nem por onde começar. Por fim, vamos fazer o seguinte: Pra organizar todas as informações, vou classificar nossos paninhos por construção, composição e usos.

Neste primeiro post, o assunto é construção. A construção é o processo usado para fazer tecido. No segundo post, o assunto será composição, ou seja, do que ele é feito. Pra terminar, vamos discutir um pouquinho os usos dos tecidos, mas vamos discutir mesmo: quero que cada um dê a sua opinião sobre qual o tecido mais indicado para qual tipo de projeto, ok?

Não vou prometer um por semana, porque seria loucura, mas prometo me engajar na pesquisa e nas entrevistas! :) Palavra de escoteira.

Vamos lá…

Tecido plano – Processo de tecelagem

É feito entrelaçando os fios de da trama e do urdume.

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O processo tem três passos:

1. Abertura da cala: Formar a manta do urdume fazendo duas camadas, uma mais alta e uma mais alta.
2. Inserção da trama: Por baixo da manta do urdume ou por cima da manta do urdume.
3. Batida do pente: Quando o tecelão ou a máquina junta os fios da trama que foi inserida.

A abertura da cala é o que define o ligamento do tecido, ou seja, o ligamento (ou padrão) do tecido é definido acordo com a escolha dos fios que vão estar na camada mais baixa e na camada mais alta do urdume.

Existem alguns ligamentos básicos de tecelagem:

Ligamento tela ou tafetá
É o mais simples. A trama do ligamento tela cruza o urdume passando um fio por cima e um fio por baixo, sucessivamente. Na volta, urdume que estava por cima, fica por baixo. Quanto mais grosso for o fio e quanto mais próximas estiverem as carreiras, mais firme será o material. Entre os tecidos de ligamento tela estão o chiffon, o mousseline, a organza, o shantung e o tafetá.

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Ligamento sarja
O ligamento sarja tem uma repetição mínima de três fios de urdume e de trama, formando uma diagonal.

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O entrelaçamento diagonal é bem mais firme que o ligamento tela. Essa firmeza também deixa o ligamento sarja mais resistente a sujeira, mas torna lavagem mais difícil. Entre os tecidos com ligamento sarja estão o brim, o denim/jeans, a sarja, o tweed e o gabardine. No avesso desses tecidos você vê claramente a diagonal.

tecidos-sarja

Ligamento cetim
É bem parecido com a sarja, mas costuma ter repetições de cinco a doze fios de urdume e trama. No cetim, a diagonal não é tão visível porque o número de repetições é muito grande. Essas repetições deixam o tecido liso e brilhante. Usam esse tipo de ligamento o cetim, o crepe de seda e o veludo de seda.

tecidos-cetim

Em cima desses ligamentos básicos também foram criados outros ligamentos, mais complexos. Um deles é o jacquard, que é aquele entrelaçado fio a fio, formando desenhos.

tecidos-jacquard

Malha – Processo de malharia

A malha é feita entrelaçando os fios sempre no mesmo sentido: ou todos na trama ou todos no urdume. O processo de malharia é feito com agulhas e é bem parecido com o tricô.

tecidos-Knit-schematic

Meia-malha
É uma malha bem leve, com a estrutura mais simples do que a malha comum.

tecido-meia malha

Piquet
O piquet é uma combinação de algodão e poliéster, bem resistente. Ele encolhe pouco e tem uns micro furinhos, que dão uma textura leve e deixam a pele respirar bem.

tecidos-piquet

Moletom
No moletom, a estrutura de malha é feita com uma espécie de lã, o que faz dele um material bem macio, flanelado dos 2 lados. O entrelaçamento deixa os fios do lado de dentro da malha soltos e, ao passar pela “peluciagem”, eles ficam fofinhos e quentes, porque não deixam o calor do corpo passar pra fora da roupa.

tecidos-moletom

Ribana
A estrutura da ribana é feita em teares duplos, dando um efeito canelado que deixa a malha bem elástica, maleável e, consequentemente, muito confortável.

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Não-tecido – Processo químico, mecânico ou térmico

Os não-tecidos são feitos de fibras presas por processo químico, mecânico ou térmico que gera uma espécie de manta com os filamentos. São chamados de não-tecidos porque não passam por nenhum tipo de tear. O nosso amado feltro, por exemplo, é feito assim.

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Depois de entrelaçar as fibras em uma máquina, ele passa por um processo químico que deixa todas elas grudadas permanentemente. O TNT também é feito com um processo parecido.

tecidos-TNT

E o que mais tem por aí?

Além do tecido plano, da malha e do não-tecido, ainda temos pele, renda, entre outros, mas acho que estes são os que geram mais dúvidas, mesmo.

Gostou? No próximo post vamos falar sobre a composição dos tecidos.

Para pesquisar mais sobre tecidos:

Dúvidas?? Falei alguma besteira??

Deixe aqui nos comentários!

Tudo sobre tecidos – Parte 2: Composição

Este post é o post 2 de 6 da série Tudo sobre tecidos

Spoonflower fabric comparison

Continuando a série sobre Tecidos do *Quero Aprender a costurar*, neste segundo post o assunto é composição: do que o tecido é feito. No primeiro post, o assunto foi construção, que é o processo usado para fazer tecido. No terceiro, semana que vem, discutimos um pouquinho os usos dos tecidos.

Construção versus composição

É muito comum ouvir alguém se referindo a um tecido pela composição, não é? O algodão, por exemplo. Não adianta muito alguém dizer que precisa de um retalho de algodão, se não especificar se é uma malha de algodão, sarja de algodão, voil de algodão…

A construção é importante para escolher o melhor uso para cada tecido, seja ele de algodão, viscose ou seda. Dependendo da construção, a fibra pode ser mais ou menos resistente. Pense na diferença entre um brim de algodão e um voil de algodão, por exemplo. É tudo algodão, mas os usos não poderiam ser mais diferentes!

Sintéticos e naturais

As fibras naturais são vegetais ou animais e só! As fibras vegetais são as feitas de celulose, como o algodão e o linho. A qualidade do algodão (que tanto se fala!) depende do tamanho e espessura da fibra: quanto maior melhor e mais resistente.

As fibras animais vem do pêlo de animais (todas as peles) e no caso da seda, vem do bicho da seda.

Os tecidos sintéticos são feitos de fibras geradas por processos químicos que utilizam petróleo. O poliéster, o acrílico e o elastano são fios sintéticos. Os nomes dos tecidos, como Supplex, Tactel, Lycra, Nylon, são todos nomes comerciais criados pelas empresas fabricantes de cada fibra. A Lycra não existe como tecido, e sim uma fibra com fio de elastano da marca Lycra. Um exemplo disso é o algodão com Lycra, que mescla fibras de algodão com fios de Lycra, que dão aquele efeito elástico.

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Os tecidos sintéticos também podem ter diferentes tipos de construção: planos, malhas, cetim (tem muito cetim de poliamida por aí!) etc.

A viscose (e as mais modernas, como Liocel, Modal etc) tem origem na celulose, que é natural, mas é uma fibra obtida por um processo químico, o Rayon. Como o Rayon é um processo artificial, eles são considerados tecidos sintéticos, afinal, nenhum deles simplesmente existe naturalmente.

Essa mistura de fibras naturais e sintéticas na composição é muito comum por aí e não existe uma diferença de qualidade entre os dois tipos. Tudo depende do uso, do objetivo e da qualidade dos fios utilizados na construção do tecido. Existem algodões de baixa qualidade, poliamidas de altíssima e vice-versa.

No próximo e último post da série vamos conversar com algumas pessoas sobre seus tecidos preferidos, dicas e indicações. Convidei muita gente legal! :D

Se você também quiser participar do último post contando quais sãos os seus paninhos preferidos e por que, tem um tópico especial pra isso na comunidade do Como Faz no Flickr. Vai lá e escreve dando o seu pitaco!

Para pesquisar mais sobre tecidos:

Dúvidas?? Falei alguma besteira?? Diz aqui nos comentários!

Tudo sobre tecidos – Parte 3: Usos – Lingerie

Este post é o post 3 de 6 da série Tudo sobre tecidos

Essa semana vou terminar a série sobre Tecidos do *Quero Aprender a costurar*. No primeiro post, o assunto foi construção, que é o processo usado para fazer tecido. Na segunda semana falamos sobre composição: do que o tecido é feito.

Agora discutimos um pouquinho os usos dos tecidos com algumas blogueiras e amigas da comunidade do Como Faz no Flickr. Para começar, chamei a Rachel Matos, que é consultora de moda com bastante experiência em lingerie e me ajudou muito na pesquisa para os posts da série. Aproveitei que ela sabe tudo do assunto e pedi pra ela falar um pouco da escolha de tecidos para roupa íntima.

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Lingerie pode não parecer mas é uma parte do vestuário feminino SUPER difícil de fazer! Principalmente os sutiãs que são peças complexas que precisam ter características específicas para cumprir sua função primordial: sustentar os seios. E o tecido usado na peça tem tudo a ver com isso!

É possível confeccionar lingerie com todo tipo de tecido, mas o melhor resultado é em geral usando tecidos que tenham elastano na composição, de pelo menos 5%. Assim as palas dos sutiãs ficam mais elásticas e vestem melhor, proporcionando maior conforto. Os bojos (ou copas) dos sutiãs podem ser de tecido elástico ou não, depende do uso.

Quando os seios são grandes e precisam de sustentação a melhor opção é ter o bojo de tecido SEM elastano, como rendas rígidas, laise de algodão, tecidos bordados, cetim etc. Assim o tecido ajuda a segurar o peso dos seios e também a não sobrecarregar o peso nas alças. Para quem tem seios pequenos ou médios, que não precisam de tanta sustentação, o sutiã pode ser todo de tecido com elastano, como malhas de algodão ou poliamida, bastante confortáveis!

As calcinhas são mais simples e em geral ficam mais confortáveis e bonitas em tecidos com elastano. Tecido sem elastano na parte de trás da calcinha dá aquele efeito de “coador de café”, sabe? Aquela aparência de que tem tecido demais ali! A melhor combinação é usar tecido com elastano na parte de trás e um tecido mais bacana ou trabalhado na frente, como renda, bordado etc.

Pra finalizar, é importante saber que hoje em dia existem tecidos tecnológicos que podem ser usados na confecção de peças íntimas e que NÃO DÃO ALERGIA, ao contrário do que muitos médicos pensam, e se limitam a indicar o uso de peças de algodão. Poliamidas de qualidade trocam calor com o corpo (ou seja, não ensopam com a umidade do calor) e por isso não permitem a proliferação de bactérias.

Rachel Matos
Consultora de Estilo
bloga no sobre casa e decoração no Casinha

Tudo sobre tecidos – Parte 3: Usos – Bolsas e acessórios

Este post é o post 4 de 6 da série Tudo sobre tecidos

O *Quero Aprender a costurar*, abriu uma discussão sobre os usos dos tecidos com algumas blogueiras e amigas da comunidade do Como Faz no Flickr.

A Rachel Matos, consultora de moda com bastante experiência em lingerie, já deu suas dicas falando de tecidos para lingerie. A Carol Grilo, da FofysFactory, falou sobre tecidos para necessaires e carteiras, forros e afins.

Hoje a palavra é da Emy Kuramoto, do Tofu Studio – Design Independente. A Emy fala da história dela com a costura e com seus paninhos prediletos.

É normal pensarem que costuro desde sempre, que fui uma daquelas crianças mega-prendadas que costuraram desde que se entendiam por gente, imitando a mãe ou a avó. Mas não, este não foi o meu caso! Comecei a costurar depois de adulta! Antes eu alinhavava alguma coisa aqui, pregava algum botão ali, mas nada que eu levasse muito a sério ou que me afeiçoasse tanto a ponto de largar uma tarde de brincadeira com as amigas. Também não fiz nenhum curso. Tudo foi muito intuitivo e fiz muita engenharia reversa – já desmontei aquela roupa que eu amava e estava velhinha para entender os moldes e os acabamentos, coisa que minha mãe fazia em casa de vez em quando (achava isso fantástico!). Também já quebrei muito a cabeça para entender alguns processos construtivos. A confecção de uma peça depende muito das etapas, que devem ser seguidas criteriosamente para evitar erros e facilitar a montagem. O problema é que para descobrir a ordem destas etapas, é preciso muita paciência, é como montar um quebra-cabeças. Provavelmente uma professora ou um tutorial poderiam ter me ajudado, mas como eu tinha muito mais tempo que hoje (ô tempo bom!), aprendi na marra, observando, tentando e errando muito. Acho que eu estava, digamos, um tanto obcecada por aprender a costurar e passava horas e horas entretida com isso. A maior vantagem de ser auto-didata é que eu aprendi a pensar por mim mesma, aprendi a inventar processos, sem ficar dependente da tutela de algum curso ou apostila. A desvantagem é que você precisa de muito mais tempo e muita dedicação. Mas qualquer processo de aprendizado e válido se funciona para você! O importante mesmo é ter muita vontade e empenho!

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Bom, como o assunto aqui é tecidos, vou contar um pouco da minha experiência na lida com os vulgos paninhos. Vou fazer aqui um grande elogio às fibras naturais, porque, na minha opinião, o homem ainda não conseguiu inventar uma fibra mais eficiente do que aquelas que a natureza nos dá. Se você fizer um vestido de seda sintética (acho que banalizaram o termo “seda”, mas tudo bem) e um de seda de verdade, verá que os 2 vestidos serão completamente diferentes! Para ilustrar, vou colocar nos seguintes termos: imagine um casamento modesto e a festa do Oscar… visualizou? Não, não é que as pessoas mais humildes tenham necessariamente mau gosto e eu não estou desdenhando ninguém, é que os tecidos sintéticos, geralmente, são muito mais baratos e se alastraram pelas lojas de noivas, mas em geral não têm um caimento e um toque tão bacana como os naturais, fora que eles não deixam a pele transpirar. Então se você viu um vestido lindo no Oscar, quer fazer um parecido, mas é beeem exigente, não economize no tecido, porque pode ser uma frustração só e ficar bem diferente da sua referência. Uma organza sintética, por exemplo, não tem nada a ver com uma organza de seda, acreditem. A sintética fica armadinha, não é obediente, enquanto a de seda-seda, cai gentilmente pelo seu corpo formando uma silhueta esguia, esvoaçante, linda! Até os homens percebem bem a diferença: pergunte para um yuppie o que ele acha do nó de uma gravata de seda e verá que a diferença para uma gravata sintética é gritante.

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Aqui no Tofu Studio a maioria dos tecidos são planos (não usamos malhas) e 100% algodão. Usamos muito o tricoline de algodão por ser um material mais versátil e que dispõe de mais cores e estampas no mercado, mas sempre optamos por tecidos com tramas mais fechadas, ou seja, mais fios na composição. Isso confere uma aparência e uma qualidade melhor ao produto final. Uma dica preciosa é estar sempre atento às tonalidades e às padronagens dos tecidos, pois um mesmo tecido do mesmo fabricante pode estar mais claro ou escuro do que aquele que você comprou no mês passado, dependendo do lote. E aquele tecido de poás com falhas na estampa, com algumas bolinhas apagadas? É o fim… Aqui no Brasil infelizmente isso é recorrente (acredito que não há um padrão de qualidade muito sério rolando nas indústrias).

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Também usamos muitos tecidos de algodão pesado (sarjas, brins e lonitas). Eles permitem confeccionar bolsas mais robustas e alças mais firmes, que vão garantir uma durabilidade maior e uma consistência melhor para o produto. É importante lavar os tecidos de algodão antes de usá-los para que eles encolham e não provoquem nenhuma deformação na peça pronta, também é recomendável checar se o tecido solta tinta em excesso, para que não cause manchas em lavagens futuras.

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Outra vantagem dos tecidos de algodão é que eles são mais fáceis de trabalhar. Uma de suas características mais bacanas é que ele permite o vinco (com ferro ou com vincador) e tolera altas temperaturas. Os sintéticos ficam, de novo, devendo nesses quesitos, pois para vincá-los, só com ferro morno e com um tecido de algodão úmido entre o ferro e o tecido a ser vincado. Outra vantagem é que o algodão permite que a pele transpire. Eu não entendia muito bem porque isso ocorre, mas um dia destes vi um documentário da TV a cabo que elucidou bem o assunto. A fibra do algodão é oca e fofa! Ela tem ar no meio da fibra, como se fosse um tubinho. Isso permite que o tecido funcione como um isolante térmico, ou seja, no calor o tecido mantém o corpo fresco e no frio, quente. Genial! Tô pra ver alguma fibra sintética que substitua o algodão… Para quem é curioso e gosta de pesquisar sobre a história dos materiais, como eu, fica a dica do programa Maravilhas Modernas: cotton (é só jogar no youtube). É muito instrutivo!

Emy Kuramoto

Mais duas dicas sobre o Tofu:

1. Não deixe de conferir as fotos do studio. Coisa mais linda o espaço deles.

2. Se você gosta de moda e estilo, o blog da Emy é obrigatório. Muita coisa linda e inspirações.

Adorei ela falar sobre ter começado a costurar depois de adulta. Eu comecei velha, já!

Também quer aprender? Não fica com medo, não. Mete as caras e manda ver :) Você vai se divertir muito, garanto!

Se você não acompanhou a série sobre tecidos, no primeiro post o assunto foi construção, que é o processo usado para fazer tecido. Na segunda semana falamos sobre composição: do que o tecido é feito. Confira!